segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Preciso...


A vida é uma escola e estamos aqui para aprender. Problemas... vêm e vão. Algumas pessoas seguem na vida formando novos caminhos; outras, remando barcos, mas perde-se a vida muito cedo. Estamos de passagem; a vida é curta para ser desperdiçada. 
Acredito sempre que o melhor está para acontecer. 

Temos instantes de incertezas, emoções insensatas, caímos em abismos, apagamos a luz do universo. Todo nosso progresso se faz a partir das tentativas de melhorar o que já se sabe, ou de aprender aquilo que ainda se desconhece, numa sucessão de acertos e desacertos, saber que todos passamos por tropeços, erros, até encontrar os caminhos que nos levam à felicidade. 

O progresso interior nos leva à melhora de nossa paisagem íntima, em uma forma magistral de, mesmo em erro, buscar os caminhos do acerto, podendo, assim, curtir a beleza e o perfume sutil das flores, a carícia de suas pétalas em nosso rosto. Sempre é preciso reciclar nossos sentimentos, nossos gestos, ações, empatia, para germinar tal qual uma flor, florescendo. 

Renascer, quem sabe, com a simplicidade, pureza e a superioridade dos animais.
Difícil, mas não impossível.

Preciso...

Tentar, mesmo com os olhos rasos d'água,
que rola quente em minha face,
processar o futuro, mesmo que o passado
testemunhe motivos para mágoas.
Não evidenciar meus erros de ontem com desapreço,
mas valorizar meus esforços de hoje.
Ver chances de crescer, e não obstáculos,
 vendo a vida como término de viagem.
  Fugir de mim a angústia, a incerteza, o medo, decepções,
 deslumbramentos; redescobrir-me sem apego.
Descobrir-me diante do espelho com serenidade
de onde me envolverei em todas as possibilidades
de sossego, sonhos, de renovação, aconchego.
Não furtar-me de mim, nem olhar para o nada...
Não envolver-me na emoção de que a vida
será sempre doce, uma eterna alvorada.
Desdenhar a tristeza e a crença na lealdade,
acreditando na fidelidade apenas dos animais,

amigos leais, carinhosos e superiores, e ter o
coração não adormecido às maldades a eles, sem leis.
Saber que a sabedoria é filha do tempo...
e, com sinceridade, insistir na juventude.
Sentir-me bem da vantagem de mais que os jovens,
ter idade para dizer — ah, se soubessem o que sei...
Calar-me diante da mediocridade e da promiscuidade,
sabendo que ficarei sozinha, sem respaldo, sem prumo.
Aceitar que colhemos também o que não plantamos, 
mas nem por isso deixar de estender minhas mãos.
Ver além das aparências — a essência invisível aos olhos.
Crer que as águas das fontes não sentem saudade do mar...
Apreciar o cheiro da chuva, que lava o tempo perdido,
 marcas de sonhos à deriva e cicatrizes triviais.

De serenidade, em acordo com minha ansiedade,
amar-me profundamente, orgulhar-me de mim,
não querendo saber o quanto irão amar-me.
Tranquilidade estampada em meu rosto,
para que ninguém duvide que mereço respeito,
que a própria vida diga que estou longe do oposto.
Não ser a mais forte; sentir saudade da infância,

e acreditar que as nuvens se encontram para conversar...
 Ser inteligente para sobreviver e me adaptar às mudanças.
Ver que as pequenas coisas, que parecem não ser nada,
obsoletas... sutilmente trazem paz. 

Sorrir sempre e dizer o primeiro olá!...
No desconforto da dor, saber que estou viva e agradecer. 
Entender o porquê do prateado em meus cabelos pelo tempo,
linhas em meu rosto mostrando experiências vividas;
linhas como mapas; pontos mostrando tesouros só meus.
Entender os sonhos alheios sem nada cobiçar,
 não trair confidências e nunca segredos contar.
Abraçar-me com gosto, me respeitar, beijar minh'alma,
refletida, reflorescida e estampada em meu rosto,
para que minha história nunca tenha um ponto final.

Conservar meus invisíveis neurônios, meu cérebro, 
minha mente, tesouro que posso e devo aumentar.
Preciso... até mesmo borboletear,
divagando como as borboletas... devaneando...

acreditando que além do horizonte tudo é mais bonito, 
por isso minha direção será sempre rumo ao arco-íris...
Voar...
Sem medo de perder as asas. 
Preciso.

Lídia Valéria

 

 Seja qual for o drama que nos assola o coração, devemos
almejar o entendimento dos erros e a disposição para acertar. 
É preciso tentar renovação para abrandar nosso coração. 
Todo dia que amanhece é oportunidade de recomeço, 
de refazer valores, de retomar caminhos. 
Lídia Valéria

domingo, 13 de junho de 2010

Tributo a meu Namorado... do Passado...

Tudo o que é bom dura o tempo suficiente para se tornar inesquecível... A vida só é compreendida olhando-se para trás; contudo, só pode ser vivida olhando-se para a frente.

Meu amor do passado é uma gota no oceano, mas sem ter nada a recordar, o oceano seria menor. Nada faz tão bem como recordar; contudo, sem saudade, senão a vida se torna fugidia.

Penso assim: "Recordar é viver", por isso perco às vezes parte do meu tempo recordando minha história, sem fechar as portas do presente para ficar no passado. O presente, como o próprio nome diz, é um 'presente'. Não se pode viver de olhos fechados para o espetáculo maravilhoso que é a nossa existência.
Quando sonho e devaneio em recordações, com coerência, guardo-as novamente.  

Um pouco de mim:  'Quando me recordo, me sinto mais jovem'.

Tributo a meu Namorado... do Passado...

A lembrança traz ao presente
meu namorado.
Tão longe... no passado.
Meu universo de amor!
Essa lembrança me ajudou a viver.
Restos de sonhos, de fantasia
que outrora eu vivia...
Desse amor meu coração se nutria
para feliz eu viver.
Com ele aprendi a amar, e, sem pensar,
com o feitiço do luar... a me encantar.
O enlevo com seus beijos,
satisfazendo meus desejos,
com gosto de "quero mais"...
Flores para mim colhia, sorria...
A alegria com ele era infinda e
eu de amor borbulhava... 
Sonhava esse amor sempre ter.
Hoje, apenas recordações... 
Não resistiu aos dissabores.
Ficou no passado.
Resta-me como herança
na minha lembrança.
Relembrando esse namorado,
emoção do coração minh'alma arranca.
Doce alento... encantamento...
Pena não ter amado mais...
Apagar essa lembrança?
Jamais.

Lídia Valéria 
De alguma maneira, 
a lembrança do namorado do passado fica; 
porque o passado nunca se aposenta.
Lídia Valéria

sexta-feira, 4 de junho de 2010

É festa junina... Vai tê...























Brasil e Portugal mantêm o costume de homenagear com festas os santos com aniversário em junho. As comemorações são ainda mais populares no Nordeste brasileiro. 

Muita 'comilança': milho verde assado e cozido, paçoca, pamonha, bolos de fubá e de milho, amendoim, pinhão, curau (doce de milho), pipoca, o delicioso vinho quente e o quentão. Hum... tão bom!... O som da sanfona convida todos a dançar; são músicas e ritmos chamados 'caipiras', em homenagem e respeito ao povo trabalhador da roça.

A alegria fica solta... Risos, danças, criançada correndo, quitutes deixam o aroma delicioso e prazeroso seguindo o vento. O céu colabora para o espetáculo com o brilho dos fogos, completando a festa.

Ao escrevermos com a ortografia errada, não o fazemos como crítica; ao contrário, é uma homenagem respeitosa a essa gente que merece a nossa reverência. Cuidam da natureza com amor e tiram  proveito dela, e nós pegamos de carona os benefícios que provêm desse trabalho tão digno.

Se você nunca participou de uma festa junina, comece a pensar e até a fazer a sua. Pense nisso. É um mês de alegria... 




Está no ar... Sorria!



É festa caipira... Vai tê...
 
Meu ranchinho é bem piquititinho,
mas vai dá pa acunchegá.
Vai tê muinta gente, cantoria, dança e viola;
tamém muinto arrastapé...
Queru vê gente chegano, genti cantano,
pa todu mundu si oiá.
Meu ranchu num tem janela, cas paredi
tudo torta, ma num é isso qui vai trapaiá.
Tem um fugão na cuzinha, vamu fazê pipoca,
i sempri u quentaum isquentá.
Miá sogra vai sê uma tristura,
puis gosta di fuxicá.
Ela custuma rogá praga ni quim garra nu dançá.
A genti isqueci a véia e vai pru terrero si alegrá.
Vai tê paçoca da boa e minduim pa ' isquentá'.
Na fuguêra, vamu assá u mio qui é pru gais num cabá.
Dispois da cantoria, vamu dançá a quadria e vamo
namorá, bejá, cantá... i si a sogra véia num tivé pertu,
nóis podi até si abraçá.
Ieu tô falano tudu issu, pruque si porpaganda num façu,
num vai tê arrastapé...
Vô ficá nu meu cantinho, co meu véio, tadinho...
tá bem acabadu, increncado... Tem dor nu corpu, u coitadu...
u pé tá sempri inchadu, purisso, só fica sentadu.
Dasveis inté si alevanta, pra módi minxergá mió. 

Ieu só façu memu porpaganda pruque gosto di
festa di Saum Juão, causdiquê si mexu u méu pé, 
u meu véio fica arrepiadu, cum ciúmi, coitadu! 
Si ficá nervosu, cumeça a xingá, 
fica atentadu i joga tudo pru chão. 
Dispois ninguém sigura... i o baile pódi acabá. 
Vai sê uma noiti linda, tudu mundo filiz 
si diliciano co quentaum... 
Vai sê taum baum! 
Ieu gostu di romaria, di festança, di fuguêra; 
e até dispois, pá pagá us pecadu, fazê uma porcissão... 
Saum Juão fica contenti, pruque sabi qui a genti gosta 
das noiti di Saum Juão... Ô trem baum!... 
Dispois qui u baile acabá, nóis ajueia nu artá, 
nóis fála cum sentimentu profundu: 
Mio Deus, nóis tem muinta fé 
di qui nunca mai vai cabá essa aligria 
qui faiz bem pra todu mundu. 
Viva a noiti di Saum Juão, a fuguêra, 
u arrastapé, u quentaum... 
i a nossa uniaum!  
Taum baum! 
Sô a muié mai filiz du mundu, 
co meu coraçaum bateno  profundu. 
I num é pra cê anssim, ara!




Lídia Valéria 

 
Parece até que sinto o cheirinho 
da pipoca e o som da sanfona.
Ô festança boa!



quinta-feira, 13 de maio de 2010

A maior obra de Deus

A você que me visita, me lê e faz comentários, deixando-me feliz,
deixo aqui o meu carinho, enflorando-me para dizer:

Como o botão em flor...
VOCÊ

espalha perfume aonde
for... 

Olhe-se no espelho e verá a maravilhosa obra de Deus:
VOCÊ!
Obrigada por visitar meu espaço de inspirações.


Uma rosa com carinho.

Lídia Valéria

sexta-feira, 7 de maio de 2010

MÃE... Homenagem a todas as mães e um pouco de mim, mãe-coruja.

Antes mesmo do nascimento, ainda com o filho no ventre, sofrem as mães mais que o necessário.

Mesmo com o coração calmo, a vida latente, esperada com ternura, causa inquietudes, o que faz parte do organismo emocional-carnal. É mais um elo para se unir à humanidade. Cuidará dessa vida e de sua adaptação ao mundo; será o seu Norte.

Antes do nascimento, a mãe já sabe que o progresso saudável da criança não terá sentido se não lhe proporcionar segurança, paz e bem-estar. Sente uma vida dentro de si e começa a sonhar. Devaneia sobre o que poderá fazer para oferecer uma forma melhor de vida a seu filho, mesmo que tenha que mudar a sua. Erradamente pensa que é um ser que será seu, e não, futuramente, para o mundo.

Fácil será ser amiga, fazer companhia, dizer o que o filho deseja ouvir (mesmo que tenha motivos para não poder dizê-lo), promessas... porém, difícil é ser amiga para todas as horas em toda a sua vida, dizer sempre a verdade quando for preciso, com confiança no que diz. Mas mãe faz e diz, não que não possa ver e sentir quando inventa e cria soluções, mas a questão é que seu coração não permite e arquiteta planos para que ele não veja nem sinta o problema. O mundo é feito de regras a serem cumpridas; só a mãe (salvo algumas exceções) sabe, com amor e sabedoria, orientar seu filho como segui-las.

Nem sempre é possível, pois, mesmo tentando ser fada, sua "varinha de condão" às vezes enverga, mas ela não deixa de tentar encontrar a solução. Nasce com o dom de proteção. Para as mães, duas coisas são infinitas: o próprio universo e a felicidade ligada ao futuro de seu filho nesse universo.

Assim fiz e consegui mudar, embora menos do que planejei, não pela força nem por conhecimento, mas sim por vontade de conseguir e vencer. Venci todos os obstáculos e pude ser chamada de "fada". Aprendi que não podia e não posso exigir o amor de meus filhos, mas podia e posso dar boas razões para que me amassem e tivessem confiança, sonho e paciência de que a vida fizesse o resto.

Sonhei muito. Fui perseverante. Esperei. Confiei... A vida deu-me dois filhos, pontos de referência em minha vida, e o orgulho de ter vencido essa batalha. Para chegar à vitória,  tive como resposta  a vitória de meus filhos e posso dizer: — Venci.

Mantemos uma certa cumplicidade: sadia, adulta, respeitosa, porém, com humor — é uma forma de um resultado mais positivo. São meus filhos, mas não precisam pensar como eu e não preciso pensar como eles. Mesmo assim, temos um relacionamento estruturado no amor, principalmente no amor. São meus confidentes e não quero nunca perder a amizade deles — para mim, o bem mais precioso.

Agradeço ao Senhor do Universo o privilégio de minha filha Estela, Meu Sol, e meu filho Glauco, Meu Porto Seguro, fontes de Luz e segurança em minha vida.  

Tenho o meu coração agradecido.

Um pouco de mim, mãe "coruuuuuuuuuuuja"
Egito

Grécia
Falando de meus filhos, sou como todas as mães: por amar demais... falam, falam, falam...
Você me entende?
 
França

Mãe
 
Nasceu mulher, forte, inteligente.
Como símbolo de pureza, é pedra
marcada na existência e continuidade humana.
Durona, porém chorona, sensível, compreensiva
e, às vezes, até reclamona.
 
Como mulher, no seu espaço, lutou por
amor e respeito...
Concebeu, gerou com amor seus filhos que
 o seu coração tanto os reconhece divinos,
e aos filhos dá o que acha que merecem.
 
Muitas noites em claro, preocupações,
 lutas, persistência...
Tudo isso ao mesmo tempo.
Sabe enfrentar com sorrisos, gestos de amor,
palavras de carinho, em cada ação...
É um anjo de Deus.
Às vezes, um beijo seu alivia dores.
 
Pensa em como sua vida mudou desde o dia
em que se tornou mãe, agradecendo a Deus por
ter merecido essa felicidade...
Às vezes se afasta daquela mulher que existe em seu
ser latente, para dar lugar a ser somente mãe.
 
Seus sonhos ficaram para trás, dando lugar a outros:
os sonhos de seus filhos. É feliz por ser mãe.
Eterna é sua glória, no seu raro esplendor.
 
Nada apaga seu brilho, porque ama com intensidade,
seja qual for a sua idade, pois tem no coração muito amor.
Doa-se em dedicação e afeto e é o tesouro do mais puro amor.
Assim é mãe para mim... Um ser especial...
Difícil definir, mas impossível não amar.
 
Homenageio todas as mães...
"A mulher-anjo-mãe-senhora-amiga-gigante-fada"...
Não pelo Dia Das Mães, mas por todas as suas
realizações e frustrações e pela luz divina que elas são.
 
Lídia Valéria Peres


                                                                                            
Inglaterra 
Infelizes as mães que transformam 
seus filhos em culpados, 
tendo-os criado sem disciplina, 
declarando guerra.
Fazem-se vítimas de quem
nada mais precisa além de amor. 
Lídia Valéria

sábado, 24 de abril de 2010

23 de Abril — DIA INTERNACIONAL DO LIVRO — Homenagem a meu filho Glauco

Para as mães, seus filhos são o Universo... Quase que transformam o mundo de acordo com seus interesses em criá-los de forma que sejam vitoriosos. Ninguém mais critica, pois sabe que mãe já nasce com  o dom de proteção. Alguém discorda?

(Fotos: em Portugal)

Dia 23 de abril é o Dia Internacional do Livro. Como na Catalunha nasceu o costume de presentear as pessoas queridas com flores e livros, eu não poderia deixar de presentear, embora de forma diferente, meu filho Glauco Adams. Flores já as colhi em meu jardim e as ofereci. Mãe fala mais...

Quando a gente ouve falar em talento, eu soberbamente penso logo em meu filho Glauco,  não do tipo que aparece em jornais, revistas e TV. Talentoso porque, além de seu delicioso convívio,  tem  como impressão digital sua forma de escrever, sempre com pitadas de humor.  Eu valorizo muito o talento, não só de meu filho, mas de muitos outros escritores,  por menos visível que ele seja.

Como mãe, sempre estou pronta a incentivá-lo (como faz a mim), a continuar com suas escritas, porque com certeza sou sua principal fã. Para mim, um grande espetáculo ler o que meu filho escreveu e escreve. Tenho orgulho do seu talento, mesmo que ele não seja o o mais glorioso, porém, dentro de sua capacidade, que é grande, já é notícia em livrarias pelos livros editados, palestras e seu blog. Em todas as coisas que faz, sendo em escrita ou em seu dia-a-dia, existe magia. Sua presença como filho, e amigo, é 'o doce que  cobre o amargo'.

Como explicar o encanto que ele me oferece sendo meu filho, além de escritor ? Exerce  a mim e à sua irmã tanta magia... o que para nós é muito  difícil explicar e tão fácil de sentir e perceber. Sua vida consiste em uma obra de arte por sua determinação e sempre nos surprende com suas engenhosidades.
 
Acredito no mundo do meu jeito e em minha crença está meu imenso amor a meu escritor preferido que é meu filho Glauco Adams. Como não ser ?

Parabéns, meu filho, neste dia especial, Dia do Livro, que é seu também, comungando com todos os escritores.

Lídia Valéria — mãe


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Minha estrela cadente


Quem não olhou para o céu e deslumbrou-se em interrogações e devaneios? Lembranças, desejo de ver alguém. A saudade faz com que o amor seja olhar juntos para a mesma direção — não só consiste em fitar um ao outro. Não devemos nos perder na imensidão de nossos sonhos, nossa razão, percorrendo caminhos para satisfazer o nosso sentimento (às vezes, equivocado). Vemos no vento, no céu, na Lua, e, principalmente, nas estrelas o encontro do amor que de repente entra em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que ele permanece. 

Damos nomes a esses sentimentos de acordo com nossa forma de sentir, e temos quase a certeza de que descobrimos a felicidade e que a vida não está passando inutilmente. Encontramos a alegria dessa luta pelo amor desejado, e, nessa tentativa, nos envolvemos com o sofrimento, nem  sempre na vitória. Nesse desempenho não existe meio-termo: ou ama e age certo, ou não; depende de você. Por amor, às vezes perdemos o equilíbrio da razão. O importante é ver o que não está visível — eis a questão.

Eu já me comprometi demais por um amor, deixando a evidência algemada. Valeu enquanto não usei as chaves da razão para abrir as algemas. Não parei de sonhar, mas aprendi a coerência no saber ficar de olhos abertos para ver o céu, as etrelas, o Sol,  a Lua, mas com ouvidos afiados para ouvir o trovão; isso, sim, leva à vitória. Infelizmente aprendemos depois de tropeços... mas é bom amar, por isso estamos sempre em descobertas, tardias ou não.

E você? Sempre de bem com a vida, comungando o amor com alegria e felicidade? Será você a pessoa privilegiada, vencedora e que nunca buscou e desequilibrou-se por amor?

Você, que me lê agora, já procurou sua estrela cadente, como eu? Continua à procura? Crê na busca e no resultado?

Mesmo que haja trovões, procure, mas sem algemas.


Minha estrela cadente

Olho para o céu e te procuro.
Gosto de ti, minha estrela cadente...
Um fragmento de teu amor
me traria alento...
Tua ausência inclemente
deixa minh'alma em lamento.
Quero teu brilho incandescente,
 não porque preciso...
Quero seu brilho só por te amar.
Descanso... entro em devaneio...
No sonho, teu amor se revela...
e atrás do arco-íris,
em meio ao brilho das cores,
nossa morada de amor se eterniza...
Mas...
se você não me quiser mais,
vou exuberar meu visual,
sensualidade no meu porte,
 usar um perfume doce, mais forte,
um brilho envolvente nos lábios,
serei sedutora, coquete...
Com o rosto entre as rendas de um leque,
faceira... emoldurada de amor te direi:
  Ofereço a você um pedaço de meu chão,
que é de terra firme e do que precisas;
ou um pedacinho do céu, que será bendito;
  nosso amor ultrapassará o silêncio
em cada som, sussurro ou grito,
e nós, lado a lado...
O sol  penetrará em nossa alma
unindo o brilho de nosso olhar,
como que sentindo o aroma da última rosa...
Sem saudade... ela irá embora;
ficará apenas em meus versos...
No caminho, despetalarei rosas
para que seja teu chão, e, sem temores,
nos perderemos em meio às estrelas
até a Lua surgir e emprestar seu brilho
a quem tanto ama...
 Estarás comigo quando despetalar-me
e meu aroma te falará de mim...
e nesse acalanto, nos acalmararemos.
Ouvirei tuas palavras e ouvirá as minhas,
 que serão mansas.
Juntos, quase sussurrando,
nos despediremos da distância
e da saudade sem razão.


Lídia Valéria 

O mar, o céu, o Sol, a Lua e, 
principalmente, as estrelas regem nossos corações, 
despertando-nos às paixões, e às vezes perdemos o 
senso e a razão. A vida é a arte dos encontros, 
embora haja tantos desencontros. 
Lídia Valéria

sábado, 27 de março de 2010

Sonho verve


Toda história tem um fim, mas na realidade é um começo.

Não nos superamos se nunca tivermos uma tentativa de mudança. Tudo do amor, da vida é igualmente lindo; nós é que o corrompemos pelas vontades, mas não devemos nos enlouquecer por elas. Procure, quando necessário, o fim de uma história, seja ela qual for. Se não consegue mudar o que foi e o que ficou do passado, crie um novo começo.

Insistir apenas na ilusão é ser traído pelo coração de forma consciente, deixando fugaz a razão. Nossas feridas devem ser curadas com carinho, permitindo-nos a cada dia um encontro com as maravilhas que nunca faltam no mundo; o que falta é a capacidade de senti-las, admirá-las e fazer parte delas. Evite desencorajar-se e restaure a fé em si. O arco-íris é um espetáculo mágico para todos — segui-lo é uma opção. 

Acredite que seu recomeço está em meio ao colorido e ao brilho do arco-íris — tente. Tentar mais uma vez é sempre o caminho mais curto. O caminho do arco-íris é longo, mas existe sempre algo à sua espera. 

Sabedoria, reflexão ou... coisas de poeta?

* "verve": calor e força de imaginação (palavra francesa)


Sonho verve

Faz muita diferença
quando num mar de águas turvas
mergulho minh'alma fria.
Terna, desprovida de temores,
acalanto para meu corpo nessas águas procuro.
Atenuar meu coração apaixonado
que perdeu seus sonhos no escuro.
Faz diferença porque sinto saudade, melancolia...
Minhas mãos estão frias
e sentindo saudade das suas...
Essa saudade me envolve
e faz minha seiva perder-se no tempo
ficando minh'alma nua,
na embriaguez do meu amor sem albergue.
Nesse ensejo, o sol me aquecerá,
a noite me acolherá com sua chama,
e não existirá uma alma fria
para mim, mulher que ama.
Não beberei mais sozinha e meu vinho
será borbulhante e doce...
Será como meu corpo voando para o céu...
Não temerei mais o frio.
Me sustentarei na esperança,
tesouro da natureza divina.
Não sufocarei meus sorrisos,
pois estarei enflorada de amor.
E num grito louco, colando meu coração partido,
enrijecido... sem choro,
deixarei aroma até nos meus espinhos.
Poderei outra vez sentir a certeza
de meus sonhos não vedar.
O próprio vento falará de mim...

Lídia Valéria

Quem não passou por um sonho 'verve'
com certeza o reconhecerá um dia. 
Nosso futuro depende de nosso alicerce no presente.
Lídia Valéria

domingo, 14 de março de 2010

O poeta e o arco-íris....... Dia Nacional da Poesia

 *Republico este post por ser hoje o "Dia Nacional da Poesia".

A poesia ganhou um dia específico, criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março.


 Antes, uma reflexão.

 
Tudo o que fiz e fizer em minha existência na Terra  desaparecerá quando eu for para "além do arco-íris", mas me perpetuarei, mesmo numa tela, ou em folhas amareladas... Minhas inspirações, meus sentimentos, versos, poemas, poesias, algumas, mesmo sem rimas. A magia de escrever  poemas será depois para os anjos,  que talvez os espalhem no colorido e no brilho do arco-íris... Neles estarei em espírito, tocando  o coração de quem sabe na Terra entender o amor com  suavidade e doçura. A magia também fará meus versos alcançarem o céu, tornando-os estrelas, pois a poesia é eterna, não morre.

Amo poetar... amo a beleza e a sutileza do arco-íris.


 O poeta e o arco-íris
Quanto mais ásperos se mostrarem os obstáculos em sua estrada, siga adiante. A cada dia nasce um novo amanhecer.

Mesmo sendo patrimônio conquistado pela educação da infância, devemos reconhecer que a maturidade espiritual é capaz de sobrepor-se a esses fatores. Quanto mais amadurecemos em espírito, mais dispostos nos tornamos ao afeto.

Desde criança, eu olhava o mundo, a natureza, os acontecimentos, as pessoas, sob uma ótica reflexiva de forma espontânea, e buscava sempre os porquês de tudo, ainda que não entendesse a profundidade de minhas análises. Sensibilizava-me com os dramas da vida, os fatos noticiosos, as alegrias dos amigos, as vitórias de estranhos, a dor de um conhecido, o sorriso de uma criança, os filhos ante o exemplo — ou não — dos pais ou da família...

Na minha tenra idade, trabalhava as primeiras lições sobre as crenças e a moral para o homem do futuro. Aprendia a sentir o mundo e a vida sob o prisma do amor e da sensibilidade distinguida de emotividade. Tudo isso às vezes era comprometido por traumas e frustrações.

"O essencial é invisível ao olhos", afirmou o genial Saint-Exupéry.

Por outro lado, a insenbilidade motiva a indiferença que pode levar a atos de desamor.

Na minha infância, a magia da vida estava sempre presente e me estimulava, mesmo quando o mundo mostrava que magia não existia. Eu acreditava e sonhava.

Na minha adolescência, quando me amei de verdade, pude perceber que o sentimento emocional era um sinal de que estava indo contra a minha verdade.

Comecei a me aprimorar em nossa língua e pensava que um dia contaria a minha vida escrevendo um livro. Gostava de escrever e cheguei a ganhar por duas vezes num concurso de redação. Ganhei como prêmio dois anos consecutivos de pagamento da escola, que era privada e cara.

Anos se passaram e eu continuei escrevendo, ora comemorações escolares, discursos de paraninfos, para homenagens, até para políticos. Mais tarde, escrevendo para grupos de amigos poetas, sonhadora que sou, fui levada a escrever poemas e não parei mais.

Não me considero uma poetisa, mas tenho esse reconhecimento e sou feliz por isso.

Ficarei muito tempo ainda neste mundo, pois, em ponto de partida, poeta não morre... apenas segue rumo ao arco-íris... Um ponto de luz mais forte no tesouro lá escondido: continuação da vida.

Nunca falarei como despedida... Tão lindo chegar a um limite de idade, minha idade, minha vida... Levo muitos anos ainda para chegar a seguir o arco-íris.

Acho simples lembrar a sorte, culpar senão a própria sorte, mas ficarei ainda muito aqui, vivendo no futuro uma idade tão especial, por merecimento, capacidade intelectual, disposição psíquica de, com vaidade, sem soberba, dizer: "Todos os anos que eu tiver, eu terei vivido!". Rodeada de amigos... pessoas que me amam...

Estarei vivendo... e agradecerei. Estou aqui! Mais uns trinta anos e terei um coração agradecido e enaltecerei minha idade. Ficarei por muito tempo ainda e verei a vida me presentear com a alegria de poder continuar escrevendo poemas, versos... Direi no futuro a minha idade com orgulho. Não quero ouvir ninguém dizendo que pareço ter menos!

Sonho chegar à "casa centenária"... Quando chegar a hora certa, me perderei no colorido do arco-íris e sorrirei... Sorrirei muito por ter oferecido ao mundo minhas inspirações. Continuarei a escrever versos além do arco-íris... Serão parte do tesouro que lá existe.

Um dia... num futuro ainda distante, nós, poetas, estaremos juntos, armazenando mais e mais tesouros: nossas inspirações.

A escrita não morre... Tem pé fincado na eternidade... no além... Afinal, estamos aqui de passagem e, com certeza, correndo atrás do arco íris.

Soberba, eu? Devaneio? Utopia?
Coisas de poeta...


Convido você a sonhar como eu.

Lídia Valéria

Minha melodia preferida: Além do arco-íris.
Faz-me sentir uma adolescente; e... quase  imortal.
Lídia Valéria

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