sexta-feira, 8 de março de 2013

MEU primeiro sutiã


Republicação

8 de março — Dia Internacional da Mulher

Quem não se lembra do primeiro sutiã?
Aconteceu comigo; quem sabe também com você?



Meu primeiro sutiã

Tímida, caçulinha peralta, ovelha negra — no bom sentido — em travessuras.

Minha teoria é de que o último filho não é o mais cortejado, mas sim o mais indesejado.

Em devaneio, vôo acima das nuvens de minha imaginação e consigo enxergar-me num passado distante. Tão lindo é vagar nessas lembranças e enxergar a felicidade lá de cima... Tantas lembranças! Dispenso algumas, mas não hesito, insisto!

Emociono-me ao lembrar quando olhei pela primeira vez de forma curiosa para meu corpo, que surgia de forma diferente diante do espelho: espremidinha na imagem de mulher sem graça, meio curva, sem forma, tendo tudo a completar. Percebia que meu jeito de curvar-me era para esconder algo, que para mim era, no momento, um tormento. Percebia que sob minhas roupas simples de menina despontavam pontos antes não existentes. Que vergonha! Estava entrando na puberdade, e nem sabia... Prestava mais atenção em mim, o que não fazia antes. Descobria defeitos, mas também conseguia valorizar partes.

Pela educação que recebia, jamais poderia pensar em dar realce às minhas formas que começavam a escapulir do meu jeito sem graça de criança. Pensava pela primeira vez em ficar mais ereta, mais feminilidade no andar, escovar mais os cabelos, ousar passar batom em tom mais forte, mais evidente, até um perfume mais 'glamuroso'. Ousadia da minha inocente puberdade, mesmo assim, não usei outro, senão o Flor de Maçã, tão suave, tão doce! Sapeca, levada da breca, nem combinaria colorido em minha face e lábios. Seria motivo para um castigo, já que a disciplina em casa era quase militar.

Atrevi-me a abrir a gaveta de minha irmã mais velha e, sorrateiramente, experimentar um sutiã. Tranquei-me em meu quarto (que não era só meu) e o experimentei. Tive dificuldade ao ajustá-lo... alças e colchetes. Era tão lindo! Puro cetim cor-de-rosa!

Vendo meu corpo em realce, mesmo com as alças desajustadas, pude notar diferença. Tentei, tentei um ajuste mas não sabia. Era a primeira vez que estava entrando no mundo tão reservado das mulheres, e eu era apenas uma criança. Mesmo assim, gostava do que aparecia no espelho e me sentia pela primeira vez uma mocinha. Prendi meus cabelos deixando partes caídas levemente em meu rosto e ombros... Estava linda e eu me admirava pensando que era hora de criar uma nova forma de me vestir, pentear, uma leve maquiagem, um novo andar, e, quem sabe, receber alguns elogios dos meninos da escola.

Em devaneio, esqueci-me do tempo. Batidas à porta fizeram-me 'acordar'. Abri a porta e minha irmã entrou. Não deu tempo de tirar o sutiã! Era hora de ir para o colégio e eu não sabia o que fazer. Peguei meu material e, muito assustada, saí com aquela sensação de desconforto, pensando que todos iam notar. Ao passar pelo espelho que havia na sala, notei que as pontas (parte mais importante) do sutiã estavam fofas, sem o ajuste certo, e marcavam de forma errada meus primeiros sinais de seios. Voltei rápido até o banheiro, peguei algodão e preenchi a parte que 'faltava', ficando mais volumoso. Isso me agradou.

Andei como se flutuasse pelas ruas até chegar ao colégio. Foi tudo tão corrido, mas estava feliz e sentia-me atraente.

Ao chegar ao pátio, já andava de forma diferente, confiante na figura que projetava. O mundo parecia só meu...

Encontrei uma amiga. Ela, notando a diferença, fez um 'curto' elogio, mas, em seguida, para meu espanto e para finalizar minha 'performance', disse-me, olhando pelo decote meio evidenciado da blusa do uniforme, com sorriso irônico:

— De algodão, hein?

Meu primeiro sutiã... Que vexame!

Não deixei mais de usar.


Lídia Valéria


O sonho e a delícia de usar um sutiã... 
para mais tarde perceber o quanto ele é desagradável.
Lídia Valéria

12 comentários:

Maísa Antores, BH disse...

Caí aqui nesse blogue pesquisando a propaganda do meu primeiro sutiã, aquela da tv, e achei o seu, muito bonito, meus parabens

Anônimo disse...

Poeta Lídia Valéria, Adorei seu BLOG!
Beijos!
Malu Mourão

Anônimo disse...

Olá poeta, parabéns por seu lindo blog

Mary

Estela disse...

Olá!
Por coincidência sou sua "filhinha" e estou "aqui" para dizer o quanto você foi sensível neste Blog e causou-me maior orgulho ainda por ser sua filha e ter vindo de você!
Com amor de filha,
Estela

Estela disse...

Olá!
Por coincidência sou sua "filhinha" e estou "aqui" para dizer o quanto você foi sensível neste Blog e causou-me maior orgulho ainda por ser sua filha e ter vindo de você!
Com amor de filha,
Estela

Anônimo disse...

Lídia Valéria querida,
Parabéns amiga!!!
Teu Blog tá muito show viu?
Adorei tudo!
Sucesso meu anjo!
Beijokas minhas,
Mary Trujillo

Anônimo disse...

Poeta Lídia Valéria Peres, te achei xou.

Lídia Valéria disse...

Maísa Antores de BH, feliz porque 'caiu aqui' no meu blog e gostou...
Grata.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Malu Mourão, querida poetisa, obrigada.
Abraço.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Mary, obrigada pelas considerações.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Estela, minha filha, obrigada por sentir orgulho.
Orgulho é ter você como 'Meu Sol'...


Mary Trujillo, doce poetisa, obrigada pela visita.
Abraço.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Anônimo, 'show' é você, que não deixou o nome, mas uma deliciosa energia... do bem...

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Anônimo disse...

Adorei seu blog. Ótimo programa de domingo! :o)

Zéia Jales - Ribeirão Preto (SP)

Lídia Valéria disse...

Zélia, seu comentário aqueceu minha noite. Um acalanto!
Volte sempre.

Minh'alma agradece, querida leitora.

Anônimo disse...

bom comeco

Albani disse...

Parabéns, por cada palavra que nos alegra a alma!

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